Como apresentar a saga Star Wars a não-iniciados

(Perdoem-me pelo post absurdamente extenso, mas achei esse texto tão interessante e curioso que me dei ao trabalho de traduzi-lo. Meu inglês não é 100%, mas acredito que tenha exposto a ideia principal do autor de forma correta. O texto foi escrito por Rod Hilton, que é desenvolvedor de software, em seu blog pessoal, Absolutely No Machete Juggling. Sua teoria é bem convincente e vale a pena ler até o final – mas SOMENTE se você já é familiar com a série. Se você nunca assistiu Star Wars – sério? -, quer saber por onde começar e o Google te trouxe aqui, NÃO LEIA o texto abaixo, pois obviamente está recheado de spoilers. Apenas siga esta ordem: IV, V, II, III e VI, ignorando o I. É estranho, mas faz sentido. Depois volte aqui para entender por que).

(Links para as Edições Desespecializadas Harmy mencionadas no texto (formato .mkv): Uma Nova Esperança (e legenda), O Império Contra-Ataca (e legenda), O Retorno de Jedi (e legenda). E legendas de Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith).

Star Wars: Suggested Viewing Order

Preparem-se, o que segue é um post incrivelmente longo sobre Star Wars.

Antes, me permitam dizer isso: aqueles que não se importam com a trilogia prequel, sugiro as Edições Desespecializadas Harmy. São discos Blu-ray 720p que são o resultado da reconstrução das versões originais de cinema da trilogia original feitas pelo “Harmy” do fórum The Original Trilogy usando várias fontes de vídeo. Fazer o download, gravar, rotular e imprimir capas para esses filmes é uma das coisas mais nerds que eu já fiz (além de escrever esse post) e estou extremamente feliz de tê-lo feito. Se a ordem correta de Star Wars para você é a trilogia original e nada mais, pare de ler agora e consiga as Edições Desespecializadas.

Mas o que fazer se você quer se envolver com a nova trilogia? Talvez você esteja exibindo os filmes a um público mais jovem que não consegue apreciar e desfrutar filmes com efeitos visuais datados. Talvez você não queira fazer download e gravar seus próprios discos, e comprar os Blu-rays oficiais esteja bom para você. Talvez você tenha aceitado que as versões originais de cinema não são mais consideradas canônicas, e você é um nerd que se importa com coisas do tipo. Droga, talvez você até goste da nova trilogia (sério?).

Seja qual for o motivo, se você está mostrando a alguém as edições oficiais de Star Wars pela primeira vez, você tem que decidir em qual ordem apresentará os filmes.

Duas escolhas

Há duas escolhas óbvias para assistir a saga Star Wars:

Ordem de lançamento: assistir aos filmes na ordem em que saíram, recriando a sua experiência com os filmes para um “não-iniciado”.

Ordem dos episódios: assistir aos filmes na ordem que George Lucas pretendia, começando com o Episódio I e seguindo direto até o VI.

Existem duas falhas críticas nas duas ordens, infelizmente, o que impede que ambas sejam apropriadas.

O problema com a ordem dos episódios é que ela acaba com a surpresa que Darth Vader é o pai de Luke. Se você acha que essa revelação não importa uma vez que já que é de domínio comum, sugiro que veja a expressão dessas crianças. Essa revelação é uma das mais chocantes da história do Cinema, e se um novato na série conseguiu evitar spoilers, assistir aos filmes na ordem dos episódios seria como assistir ao final de O Sexto Sentido antes do filme.

Outro problema com a ordem dos episódios é que a nova trilogia não tem realmente uma história. São apenas pano de fundo para a verdadeira história, que é a tentativa de Luke de destruir o Império e salvar o pai. Assistir três filmes auxiliares é entediante se você nunca viu os filmes cujas bases eles estabelecem. Ora, é por isso que George Lucas fez Star Wars (depois renomeado como Uma Nova Esperança) primeiro – era a história mais interessante que ele tinha em mente no momento. Iniciar alguém com o Episódio I é um jeito certo de garantir que a pessoa não terminará a franquia inteira.

Infelizmente, a ordem de lançamento é também um fracasso instantâneo, e o motivo é uma única tomada. Se você está assistindo às versões lançadas oficialmente, quando o Império é destruído e todos estão comemorando, Luke vê seus mentores, Ben Kenobi e Yoda, e a eles se junta subitamente… um adolescente sinistro qualquer que precisa cortar o cabelo. Colocar Hayden Christensen no final de O Retorno de Jedi, uma vez que ele não está em NENHUM dos outros filmes, transforma um final que deveria ser celebração em outro que é confuso para o espectador. E o fato que Christensen parece estar despindo alguém com os olhos não ajuda em nada.

Portanto, nenhuma das ordens realmente funciona. O que fazer?

Apresentando: a Ordem Machete

Como garantir que uma apresentação mantenha a revelação de Vader uma surpresa enquanto introduz o jovem Anakin antes do final de O Retorno de Jedi?

Simples, assista-os nesta ordem: IV, V, II, III, VI. Deve ter percebido que o Episódio I sumiu. Voltarei a isso em um instante.

Batizei isso de “Ordem Machete na chance improvável de que pegue, porque sou um babaca vaidoso (UPDATE: pegou!).

George Lucas parece acreditar que Star Wars é a história de Anakin Skywalker, mas não é – ao menos, não efetivamente. Anakin não tem um arco interessante – ele cede ao que é apresentado como uma tentação irresistível. Pode gerar identificação, mas não é tão interessante. Anakin só tem uma mudança cativante como personagem no final de Jedi, quando se redime, mas isso não é como personagem, mas como um objetivo – algo que o personagem pelo qual torcemos durante três filmes (Luke) conseguiu. Anakin é, nesse momento, uma representação personificada de toda a galáxia. Salvar Anakin do lado negro coloca um rosto humano na salvação da galáxia do Império, e prova que Luke estava certo em sua resistência a desistir do pai, ainda que suas tentativas de salvá-lo coloquem toda a missão em risco.

Com efeito, essa ordem mantém a história sobre Luke. É só quando nosso herói Luke é deixado com a questão fervente “meu pai realmente se tornou Darth Vader?” que fazemos um longo flashback para explicar que é verdade. Quando entendemos como seu pai passou para o lado negro, voltamos para a narrativa principal e vemos que Luke foi capaz de resgatá-lo e salvar o bem que havia nele, no que foi a única forma de derrotar o Império.

Colocar a trilogia prequel no meio (algo que o autor de um comentário apontou como chamada “ordem Ernst Rister”) permite que a série termine no seu verdadeiro encerramento (a destruição do Império) enquanto ainda começa com a jornada de Luke. O pano de fundo das prequels entra num momento perfeito, porque O Império Contra-Ataca termina num enorme cliffhanger. Han é congelado em carbonite, Vader é o pai de Luke, e o Império atacou duramente a Rebelião. Adiar a resolução desse cliffhanger torna tudo mais satisfatório quando O Retorno de Jedi é assistido.

Narrativamente, é como um filme que começa com uma grande abertura, e vai para “2 anos antes” por boa parte do filme até chegar no presente e na conclusão.

Por que pular o Episódio I?

Veja, não vou sentar aqui e discorrer sobre o quão ruim o Episódio I é. Não vou tentar fingir que o Episódio II é melhor ou dizer que o Episódio I arruinou minha infância ou algo do gênero. Não arruinou, é só um filme que não é muito bom.

O motivo para ignorar o Episódio I não é por ser ruim, mas por ser irrelevante. Se você aceitar meu argumento que a saga Star Wars é de fato sobre a jornada de Luke e sua decisão de aceitar o fardo heroico de salvar não apenas a galáxia do Império como também seu pai do lado negro, vai descobrir que tudo o que acontece no Episódio I é uma distração dessa história.

Sério, pense nisso apenas um minuto. Aponte quantas coisas puder que acontecem no Episódio I que de fato ajudem a desenvolver a história em algum episódio subsequente. Eu só consigo pensar em uma coisa, que mencionarei depois.

Todos os personagens estabelecidos no Episódio I são mortos ou removidos antes do fim (Darth Maul, Qui-Gon, Chanceler Valorum), não são importantes (Nute Gunray, Watto) ou desenvolvidos melhor em outro episódio (Mace Windu, Darth Sidious). Faz diferença se Palpatine teve um aprendiz antes do Conde Dooku? Não, Darth Maul é morto no final do Episódio I e nunca é mencionado novamente. Você pode muito bem assumir que Dooku foi o único aprendiz. Faz diferença se Obi-Wan foi treinado por Qui-Gon? Não, Obi-Wan está treinando Anakin no início do Episódio II, Qui-Gon é completamente irrelevante.

Busque em seus sentimentos, você sabe que é verdade! O Episódio I não interessa no fim das contas. Você pode começar a nova trilogia no Episódio II e não sentir falta de absolutamente nada. O texto de abertura do Episódio II estabelece tudo o que você precisa saber sobre os novos filmes: um grupo de sistemas quer deixar a República, eles são liderados pelo Conde Dooku e a Senadora Amidala vai votar na questão sobre a República criar um exército. Natalie Portman é chamada de Senadora Amidala duas vezes nos primeiros 4 minutos de filme, então não há problemas em saber quem é quem.

O que é removido?

Aqui estão algumas das coisas que você não precisa mais ter como parte da experiência de assistir Star Wars, graças ao corte do Episódio I.

– Praticamente nada de Jar Jar Binks. Jar Jar tem cerca de 5 falas no Episódio II e zero no III.

– Sem midichlorians. Só existe uma menção a midichlorians após o Episódio I, e no contexto soa como algo tão inofensivo como “DNA”.

– Sem Jake Lloyd. Desculpe, Jake, sua atuação é péssima e eu nunca realmente quis ver Darth Vader como um garotinho.

– Sem confusão Padmé/substituta da Rainha. Toda a subtrama com Padmé e sua sósia não faz nenhum sentido. É claro que isso era apenas para que as pessoas pudessem interagir com Padmé sem saber que ela era a Rainha, mas é algo completamente confuso e inútil.

– Relações mestre-e-aluno menos confusas: Darth Sidious treina o Conde Dooku, Obi-Wan treina Anakin. Não há outras relações de treinador/aprendiz para inchar a história. Com menos personagens para tratar, a história ganha mais foco.

– Nada sobre “disputas comerciais”. O “problema” do Episódio II é um grupo de sistemas que quer deixar a República. Isso é muito mais compreensível para uma criança do que disputas comerciais.

– Sem corrida de pods. Sério, quem liga a mínima? É uma sequência de ação em função de si mesma e que não acaba nunca. Um número enorme de furos sobre as apostas e a consequente libertação de Anakin também é removida.

– Sem nascimento virgem. Simplesmente não se sabe ou interessa quem é o pai de Anakin, e a sutil implicação de que é Palpatine desaparece.

Mas excluir o Episódio I não é meramente fingir que um filme ruim não existe. Assistir ao Episódio II logo após o V e ao Episódio III imediatamente antes do VI conta uma história melhor do que incluindo o Episódio I. De fato, acredito que conta a história de Luke melhor do que excluindo as prequels completamente.

Por que funciona melhor?

Como mencionei, é criada uma enorme tensão pelo cliffhanger no final do Episódio V. Isso também usa a trilogia original como moldura para os novos filmes. Vader larga essa bomba gigante de que ele é pai de Luke, então usamos dois filmes para provar que ele está dizendo a verdade, para então vermos como tudo se resolve. Quando Império foi lançado, muita gente pensou que Vader mentiu para Luke. Não foi provado “verdadeiro” até que Obi-Wan o confirmasse em Jedi, mas era imediatamente seguido da justificativa do “certo ponto de vista” de Obi-Wan. Inserir as prequels torna essa revelação um caso de “mostre, não conte” – não apenas ouvimos Obi-Wan contar; nós vemos.

Com a Ordem Machete, a experiência de assistir Star Wars começa com o filme que faz o melhor trabalho em estabelecer o universo Star Wars (Episódio IV) e termina com o desfecho mais satisfatório (Episódio VI). Também inicia a série com seus dois filmes mais consistentes, e permite que você nunca tenha que começar ou terminar sua experiência com uma porcaria. Dois filmes da história de Luke, dois filmes da história de Anakin, então um único filme que entrelaça e encerra as duas histórias.

Além disso, o Episódio I estabelece Anakin como um garotinho bonitinho, totalmente inocente. Mas o Episódio II o apresenta como alguém impulsivo e sedento de poder, o que torna seu caráter mais consistente no rumo de eventualmente se tornar Darth Vader. Obi-Wan jamais parece ter qualquer controle sobre Anakin, variando entre tratá-lo como um amigo (a primeira conversa deles no Episódio II) e tratá-lo como um aprendiz (a segunda conversa, junto com Padmé). Anakin nunca é uma criança despreocupada gritando “yippee!”, ele é um adolescente complexo à beira de explodir de raiva em quase todas as suas cenas. Faz muito mais sentido para Anakin sempre ter sido assim.

No início do Episódio II, Padmé se refere a Anakin como “aquele garotinho que conheci em Tatooine”. Os dois parecem quase da mesma idade em Episódio II, então o espectador pode concluir naturalmente que os dois foram amigos quando crianças. Isso esconde completamente a esquisitíssima diferença de idade entre ambos no Episódio I, o que confere mais credibilidade ao romance subsequente dos dois. Cenas em que se declaram um ao outro parecem se fundamentar numa amizade de infância que nunca vemos mas podemos assumir que está lá. Uma vez que esse relacionamento é o motivo da queda de Anakin para o lado negro, ser algo mais crível faz uma boa diferença.

Obi-Wan agora sempre tem uma barba em toda a duração da série, e Anakin Skywalker sempre veste preto. Uma vez que os dois personagens são vividos por atores diferentes (e são os únicos na série com tal distinção), tê-los com um visual consistente ajuda bastante a reforçar que são as mesmas pessoas.

Update: Den of Geek também escreveu um artigo esclarecedor sobre mais coisas (em inglês) que funcionam melhor na ordem Machete que eu não mencionei. Gosto particularmente da dimensão extra que ela dá a Yoda.

Que virada!

Essa ordem também preserva todas as reviravoltas da trama, e adiciona uma nova (ou melhor, a torna mais eficiente).

Como mencionado, a Ordem Machete preserva a surpresa que Darth Vader é o pai de Luke. Na mesma boa linha, também mantém a surpresa que “Yoda, o Mestre Jedi que treinou [Obi-Wan]” é o carinha verde em Dagobah. Foram duas descobertas para os cinéfilos da época e, embora seja pouco provável que a cultura ou caixas de cereal ou qualquer outra coisa não vá arruinar essas surpresas para alguém, no mínimo elas não são estragadas pela Ordem Machete.

George Lucas sabia que assistir aos filmes na ordem dos episódios eliminaria as surpresas de Vader e Yoda, então ele adicionou a surpresa de Palpatine para compensar – que o afável Senador Palpatine é na verdade o Lorde Sith responsável por criar o Império. Uma vez que não encontramos de fato o Imperador até o Episódio VI (só é visto em uma cena, num holograma, no V), essa ordem mantém a surpresa das prequels. A reviravolta é arruinada pelo Episódio I, que explica que Darth Sidious está manipulando a Federação do Comércio desde os primeiros minutos, mas ele aparece tanto em cena que fica muito óbvio que Sidious é Palpatine quando vemos o senador mais adiante.

Pulando o Episódio I e indo direto para o II, tudo o que ficamos sabendo é que o Conde Dooku lidera um movimento separatista, por conta própria. Dooku diz a Obi-Wan que o Senado está sob controle de um Lorde Sith chamado “Darth Sidious”, que nunca vimos até aqui. No final do filme, depois que Dooku foge de Geonosis, ele encontra seu “mestre”, que revela ser Darth Sidious. É a primeira vez que percebemos que o movimento separatista é na verdade controlado por Sidious, e é algo tão breve que não dá ao público muita chance de perceber que ele é Palpatine (lembre-se, ninguém jamais se referiu a “Imperador Palpatine” nesse ponto da série, ele é chamado apenas de “o Imperador” no Episódio V).

Abaixo está todo o tempo de tela de Sidious no Episódio II. Na Ordem Machete, esta é a única chance de perceber que o Chanceler Palpatine está por trás de tudo até sua tentativa de aliciar Anakin para o lado negro no Episódio III. Pessoalmente, ainda acho que fica meio na cara, dada a atuação arrepiante de Ian McDiarmid como Palpatine (além da covinha no queixo), mas pelo menos as crianças tem uma chance de não perceber isso antes da hora nessa ordem.

sidious

A ordem Machete também mantém a revelação de que Luke e Leia são irmãos uma surpresa; ela simplesmente move o momento para o Episódio III ao invés do VI, quando Padmé anuncia o nome da filha. Na verdade, a reviravolta é mais eficiente nesse contexto do que Obi-Wan simplesmente contar a Luke em O Retorno de Jedi. Descobrimos isso antes de Luke, e descobrimos que Padmé estava grávida de gêmeos junto com Obi-Wan, quando o dróide médico lhe conta (o que era desconhecido até aqui). O nome de Luke é o primeiro, então quando Padmé chama o outro bebê de “Leia”, a revelação é bem chocante. Na ordem de lançamento, a “reviravolta” vem quando Yoda diz a Luke que existe outro Skywalker em O Retorno de Jedi, e Luke adivinha que é Leia na cena seguinte, com o fantasma de Obi-Wan. Na ordem dos episódios, não existe qualquer surpresa, já que ainda não temos ideia de quem são Luke e Leia. Como um bônus adicional, agora há mais ou menos 5 horas de filme entre a descoberta de que eles são gêmeos e o momento que se beijaram.

O que funciona melhor?

O verdadeiro valor da Ordem Machete fica bem claro quando se assiste a O Retorno de Jedi.

Lembre-se, vemos no Episódio V que a visão de Luke na caverna de Dagobah é que ele se torna Darth Vader, então descobrimos que Vader é seu pai. Então assistimos aos Episódios II e III, nos quais seu pai vai para o lado negro a fim de proteger as pessoas que ama. Depois disso, voltamos ao Episódio VI, onde eventualmente Luke confronta o Imperador.

Na Ordem Machete, nunca vemos Anakin como criança; quando o vemos pela primeira vez, ele tem mais ou menos a mesma idade de Luke no Episódio IV. As reclamações incessantes de Hayden Christensen irritam bem menos agora, já que ajudam a estabelecer sua ligação com Luke, que era tão reclamão quanto ele no Episódio IV. Em outras palavras, como pulamos o Episódio I, os paralelos entre Luke e Anakin agora estão muito mais fortes. Vimos Obi-Wan treinar os dois, e nunca vimos alguém treinar o próprio Obi-Wan. O espectador conecta naturalmente a trajetória dos dois personagens até esse ponto, mais do que faria se tivesse incluído o Episódio I.

Quando vemos Luke pela primeira vez em O Retorno de Jedi, ele entra no palácio de Jabba e a trilha soa um pouco como a Marcha Imperial. A forma com que ele entra com a luz por trás não deixa claro se é Luke ou Vader, e quando finalmente o vemos, ele está todo vestido de preto. Então, ele estrangula os guardas de Jabba usando a Força, algo que somente Vader havia feito na série! Ninguém o vê fazendo isso.

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Quando ele confronta Jabba, ele o alerta de que levará seus amigos de volta. Diz a Jabba que ele pode lucrar com isso, “ou ser destruído”. Acabamos de ver Anakin fazer uma ameaça parecida a Obi-Wan, “não me obrigue a destruí-lo”. Mais adiante, ele diz a Jabba “não subestime meu poder”. A última vez que essa frase foi usada, foi no mesmo duelo com Obi-Wan. Quando assistimos a O Retorno de Jedi isoladamente, Luke parece apenas um pouco arrogante nessa cena. Assistindo-o logo após A Vingança dos Sith, a mensagem é clara: Luke Skywalker está no caminho para o lado negro.

Por que isso importa? Porque no final de O Retorno de Jedi, Luke enfrenta o Imperador. O Imperador explica que o ataque à nova Estrela da Morte é uma armadilha e que seus amigos vão morrer, e provoca Luke, dizendo para que pegue seu sabre de luz e tente matá-lo. O filme tenta criar uma tensão que Luke pode abraçar o lado negro, mas nunca foi muito convincente. No entanto, com o contexto dele seguindo os passos do pai e o pai usando o lado negro da Força para salvar pessoas, com os amigos de Luke sendo mortos do outro lado da janela da Estrela da Morte, tudo fica bem mais verossímil.

Pouco depois, Luke perde a cabeça e dá uma surra em Vader, claramente sucumbindo à sua raiva. Ele supera Vader com fúria e corta seu braço, exatamente como Anakin fez com Mace Windu no Episódio III. Com a verdadeira ameaça que Luke siga os passos do pai esclarecida ao assistir aos Episódios II e III antes do VI, a tensão da cena é muito elevada, e realmente melhora O Retorno de Jedi. Sim, assistir A Vingança dos Sith faz de O Retorno de Jedi um filme melhor, mais eficiente. Considerando que ele é o mais fraco da trilogia original, a melhora é mais do que bem-vinda.

O que não funciona melhor?

A ordem Machete não é perfeita. Existem algumas questões menores que são levantadas por assistir aos filmes nessa ordem.

A sequência de Kamino é um pouco confusa. Uma vez que os clonadores parecem estar “esperando” Kenobi, isso leva o espectador a se perguntar se ele apareceu no Episódio I criando o exército de clones ou coisa do tipo. Por mais hilário que seja, o Episódio I não explica nada nem torna essa cena menos mal-conduzida, mas o fato de que o espectador sabe que um filme foi pulado aumenta a confusão.

Qui-Gon é mencionado uma vez no Episódio II e uma vez no Episódio III. Por sorte, nas duas vezes em que é citado, sua relação com os personagens é resgatada, então funciona. Dooku diz a Obi-Wan que seu velho mestre Qui-Gon foi seu próprio aprendiz, e no Episódio III Yoda diz a Obi-Wan que Qui-Gon aprendeu a se comunicar após a morte. Fica tudo bem, só um pouco estranho.

Os Episódios II e III falam sobre Anakin ser parte de uma profecia que nunca é explicada (já que foi exposta no Episódio I). É uma pena, mas por outro lado, na última vez em que é mencionada no Episódio III, Yoda diz que ela pode ter sido mal-interpretada. Francamente, considero que a remoção de boa parte da “profecia” é mais uma força da Ordem Machete, mas não há como negar que ela é lembrada algumas vezes no Episódio III.

A parte mais fraca desta ordem é quando Anakin volta a Tatooine. Não sabemos que sua mãe foi escrava, e não sabemos que ele construiu C-3PO. Quando ele tem visões da mãe morrendo e volta, Watto diz que a vendeu. Não é algo que você espera ouvir sobre a mãe de um Jedi, então fica meio esquisito. Quando Anakin vai até a fazenda de umidade dos Lars, C-3PO o chama de “o criador” e eles agem como se fossem conhecidos, mas não está claro que Anakin construiu C-3PO. Isso chama bastante atenção para o fato de que um filme foi ignorado. Esse é o único elemento que realmente fica mais confuso ao pular o Episódio I.

Faça uma tentativa

Experimentei a ordem comigo mesmo, e muitas pessoas que encontraram este texto também tentaram, e a maioria delas parece ter realmente gostado. Da próxima vez que for assistir os Blu-rays, dê uma chance.

Você deve estar pensando se vale a pena pular o Episódio II e assistir apenas ao III, apenas para apresentar o jovem Anakin antes de O Retorno de Jedi. Não recomendo isso: todos os personagens que você precisa conhecer para o Episódio III que apareceram no I são reintroduzidos no II com um rápido diálogo, mas o Episódio III assume que você já sabe quem é quem. Além disso, o amor de Anakin por Padmé é a principal razão de sua queda para o lado negro, e a maior parte disso está no Episódio II. Finalmente, sem ver o exército de clones sendo criado no Episódio II, ver os Jedi lutando junto com eles no III soará extremamente confuso, já que eles se parecem quase como stormtroopers no III. Narrativamente, não acho que pular o Episódio II funcione.

Algumas pessoas alegam que o Episódio I não é tão ruim assim, e não deveria ser removido (repito: não é por ser ruim, mas é por não ser relevante para a jornada de Luke como II e III são). Muitos gostaram da corrida de pods ou Darth Maul ou Qui-Gon ou nasceram em 1992. Seja qual for sua razão, se quiser assistir ao Episódio I recomendo fazê-lo separadamente, como se fosse Uma História Star Wars. Afinal, a ordem Machete não interfere com o cânone – tudo é canonicamente compatível com o Episódio I (ou qualquer dos seguintes) porque não estamos falando de fan edits.

Muitas pessoas argumentaram que não sabemos por que Anakin cai para o lado negro, já que o motivo basicamente era porque Obi-Wan não estava pronto para treiná-lo, e só o fez por insistência de Qui-Gon antes de morrer. Na Ordem Machete, não há Qui-Gon, então fica um buraco. Mas o ponto é: realmente precisamos saber a razão de Anakin sucumbir ao lado negro? Não basta que seja tentador, e que ele imagine poder usá-lo para salvar a esposa? Essa é a parte que permite que o espectador se identifique – porque é “mais sedutor”. Além disso, pode-se usar o “por quê” numa eterna volta ao passado, mas ninguém exige que todos leiam a série Star Wars: Jedi Apprentice sobre Qui-Gon treinando Obi-Wan para que se entenda o que aconteceu antes do Episódio I.

Pouco depois de escrever este post, descobri que a namorada do meu cunhado, de idade universitária, jamais havia assistido qualquer filme Star Wars e quis assisti-los todos durante as férias de inverno. Armado com os novos Blu-rays, fomos assisti-los e mostrei a ela na Ordem Machete. Funciona muito melhor do que eu havia antecipado – quase como se fosse a ordem realmente pretendida. Existe um grande padrão aqui, que leva o espectador a uma série de altos e baixos emocionais. O Episódio IV termina com uma vitória que parece ter implicações sinistras, então o V é sombrio e com um cliffhanger não-resolvido. O II termina com uma vitória com implicações sinistras, então o III é sombrio e mais uma vez com um cliffhanger não-resolvido. Funciona incrivelmente bem, e quando o III terminou todos exigiram que assistíssemos imediatamente ao VI para ver como tudo iria se encaixar.

Talvez o mais importante de tudo, as falhas da ordem Machete parecem não ser problemáticas. Quando Anakin volta a Tatooine no Episódio II, a conversa com Watto imediatamente indicou que a mãe de Anakin era escrava. Ela perguntou por que Anakin nunca retornou para libertar a mãe logo após tornar-se um Jedi, mas o Episódio I não fornece a resposta para isso.

A coisa com a qual ela mais teve problemas foi quando Leia e Luke conversam em O Retorno de Jedi, e ela fala como se lembra da mãe, da “mãe verdadeira” (então Leia claramente sabe que foi adotada). Com alguns filmes entre III e VI, é possível esquecer essa fala, mas assistindo o VI logo após o III fez ela parar e perguntar “peraí, o quê? Como ela se lembra da mãe?”. Não há como contornar esse ponto de confusão; assistir ao Episódio I ou à série toda em qualquer outra ordem não ajuda.

Perguntei a ela se achava Jar Jar insuportável e ela perguntou “quem é Jar Jar?”. Missão cumprida.

Tradução do post original de Rod Hilton.

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Publicado em 29/02/2012, em Especial e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. Gente… quase, mas quase que eu li esse maravilhoso artigo recheado de spoilers. Eu sou nova nesse negócio de Star Wars, mas estou muito animada. Mal posso esperar pra terminar de ver a série, e desde já agradeço pela dica de qual ordem seguir, eu fiquei meio perdida quando fui baixar o filme por causa da cronologia. e tudo mais.
    Ps.: Q a força esteja com vcs

  2. nossa, eu que nunca assisti, fui ler o post e ja sei o misterio ¬¬ isso nao é um post pra nao iniciados, vc conta td caralho.

    • Mas creio que achar o primeiro parágrafo (especificamente a parte que diz “Se você nunca assistiu Star Wars – sério? -, quer saber por onde começar e o Google te trouxe aqui, NÃO LEIA o texto abaixo“) não é mistério nenhum.

  3. Aff velho, vc intitula para (((não iniciados))) e logo no começo coloca um baita de um spoiler sobre o darth vader, eu sou um não iniciado >_> vai se ferrar aff

    • É só a segunda vez que alguém reclama disso desde que postei essa tradução, e isso foi em fevereiro de 2012. Aparentemente, os outros não tiveram problemas em achar o primeiro parágrafo, com aviso em negrito, itálico e sublinhado para não ler o resto se não assistiu aos filmes. Se por qualquer motivo que seja achou que não precisava ler o início, a culpa é só sua.

      • Tem exatamente 588 palavras antes dos spoilers, e várias delas dizendo para não ler, caso ainda não tenham visto o filme. Gostaria de saber por que as pessoas pulam justamente para os spoilers.

        Mas parabéns pela tradução. Estou mostrando a ordem Machete para alguns amigos. Escreverei aqui de novo quando terminar. 😀

  4. RANIERI ALBATROZ

    onde eu consigo as Edições Desespecializadas Harmy?

    • Só baixando via torrent (deixei os links no início do post). Como são um trabalho de fãs, não há como adquiri-las comercialmente. Com exceção de um lançamento em DVD (criticado pela qualidade fraca), a Lucasfilm nunca disponibilizou o corte original dos filmes em HD, mas isso foi antes da compra da empresa pela Disney – que, segundo rumores, tem interesse em lançar esse material no mercado. Se isso acontecer, devemos ter um material melhor que as Edições Harmy 🙂

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