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Community – 6ª temporada (2015)

Community – 6ª temporada (EUA, Yahoo, 2015)

Showrunner: Dan Harmon

Com: Joel McHale, Gillian Jacobs, Danny Pudi, Alison Brie, Jim Rash, Ken Jeong, Paget Brewster, Keith David, Richard Erdman, Erik Charles Nielsen, Danielle Kaplowitz, Dino Stamatopoulos, Charley Koontz, Luke Youngblood, Craig Cackowski, David Neher, Martin Mull, Lesley Ann Warren, Irene Choi, Brian Van Holt, Billy Zane, Travis Shuldt, Kumail Nanjiani, Jason Mantzoukas, Jay Chandrasekhar, Steve Weber, Mitchell Hurwitz, Steve Guttenberg, Nathan Fillion, Matt Berry, Seth Green e Yvette Nicole Brown.

Se há um fandom televisivo que sabe o que é sofrer por seu programa favorito, é o de Community. Lançada em 2009 como uma das estreias mais promissoras da NBC, a série foi gradualmente se tornando mais e mais insana, mas seu humor menos convencional atraiu uma audiência modesta, ameaçando-a de cancelamento a partir do fim da 2ª temporada. Após o 3º ano, o showrunner Dan Harmon foi demitido por conflitos com o canal, resultando numa 4ª temporada que, buscando ser mais “acessível”, acabou muito inferior às anteriores. Na tentativa de salvar a série, Harmon foi readmitido para o 5º ano, reerguendo a qualidade da atração, mas não o público, provocando o cancelamento. Com o contrato dos atores prestes a expirar, o Yahoo assumiu as rédeas para a tão almejada 6ª temporada aos 45 do segundo tempo. Uma trajetória que, por si só, já renderia outra série…

Assim, é um verdadeiro milagre que Community ainda mantenha seu frescor após tantos percalços e a perda de uma fração significativa de seu elenco principal (Chevy Chase, Donald Glover e Yvette Nicole Brown foram saindo ao longo dos últimos três anos). Neste retorno, Harmon volta a entregar doses fartas do humor nonsense e banhado em metalinguagem que é marca registrada da série e, ainda assim, consegue soar sempre natural dentro do cenário de perpétuo caos que é a Faculdade Comunitária Greendale. Reunindo-se aos veteranos Jeff Winger (McHale), Britta Perry (Jacobs), Annie Edison (Brie), Abed Nadir (Pudi), Ben Chang (Jeong) e o reitor Craig Pelton (Rash), temos personagens carismáticos que não se limitam a reciclar traços dos que partiram: o programador de computadores Elroy Patashnik (David), que se encontra um tanto desatualizado; e a administradora Frankie Dart (Brewster), que se junta ao comitê Salve Greendale para reequilibrar as eternamente combalidas finanças da instituição.

Não apenas os dois novatos se integram rapidamente ao que sobrou do antigo grupo de estudos como Frankie, em particular, se revela um golpe de mestre cômico: sendo uma outsider de Greendale pomposa e metódica (tudo o que a faculdade não é), ela é obrigada a se impor como voz da razão em meio às maluquices que imperam naquele meio “acadêmico” – e a seriedade inabalável de Paget Brewster é fundamental para tornar Frankie ainda mais engraçada, já que é a única a reagir com a perplexidade esperada a um reitor profundamente influenciável por propaganda ou bizarrices como um datadíssimo simulador de realidade virtual e uma mão gigante (!). Mas uma das grandes surpresas dessa temporada é a performance mais contida (e eficaz) de Ken Jeong, que pela primeira vez está mais integrado ao grupo – e a queixa de Chang por “não estar sendo bem utilizado” é uma piada divertida com todas as mudanças absurdas já feitas com o personagem desde o início da série. Já Annie e Abed surgem um tanto mais apagados (ele, em grande parte por ter perdido Troy para as escaladas cômicas/metalinguísticas que renderam tantos momentos incríveis), embora tenham sua cota de bons momentos (a dureza com que Annie intimida Britta é hilária).

Trazendo de volta velhos coadjuvantes e suas esquisitices (Garrett, Vicki, Neil Gordo, Leonard, Annie Kim, Todd, Oficial Cackowski), esta nova temporada também dedica um tempo maior a Britta e suas idiossincrasias: finalmente conhecemos seus adoráveis pais (a quem ela detesta), compreendemos parte das razões de seu comportamento (cuja revolta tem um quê francamente adolescente) e mais uma vez a vemos dividida entre amor e seu conceito de integridade. Aliás, é curioso que seja justamente Britta o catalisador do episódio mais político de toda a série, Basic Email Security. Não pelas razões esperadas: afinal, é a eterna campeã dos oprimidos que convence o grupo a bancar a apresentação de um comediante ofensivo após receberem ameaças de retaliação. Claro que o humor não parte daí, mas sim do vazamento dos emails, que expõe com maestria as falhas e inseguranças do grupo numa sequência engraçadíssima: Britta sabe de cor o dia em que foi elogiada; Jeff escreve para astronautas, numa demonstração de infantilidade de quem cresceu sem uma figura paterna; o dramático “Ela está morta!” dito por Frankie. Community jamais se furtou da tiração de sarro a excessos politicamente corretos (a criação do mascote na 1ª temporada é um ótimo exemplo), mas aqui a provocação ao perigoso ambiente de pânico moral e francamente censor que tem se formado em diversas universidades americanas é mais do que certeira – e sempre arranca risadas.

Outra coisa tipicamente communityana que está de volta são os episódios-homenagem que empregam características de filmes de gênero não para parodiá-los, mas para construir sua própria trama de forma engraçada (e no processo, levando toda Greendale à demência coletiva). Dois em particular se destacam: Grifting 101, que emprega a narrativa frequentemente mirabolante das histórias de “golpe perfeito” a partir da chegada de um especialista no assunto vivido por Matt Berry (The IT Crowd); e, claro, Modern Espionage, que traz de volta o paintball que gerou alguns dos momentos mais memoráveis da série. Desta vez são empregados elementos típicos de filmes de espião: investigação e busca por fornecedores, emails criptografados, ações sob disfarce durante uma festa, comunicadores de orelha, codinomes (todos relacionados a intérpretes do Batman – e é notável a piada interna ao designar Britta como “Clooney”) e motivações (propositalmente) ridículas para os vilões. Merecem lembrança também as piadas finais que por vezes não tem relação alguma com o restante da trama, mas levam o nonsense à estratosfera, como a que envolve o potencial comprador da mão gigante, a que revela como Shirley (Brown) está após deixar Greendale e, claro, o sensacional trailer do derivativo português classe Z de Gremlins.

Voltando a incluir o caminhão de tiradas brilhantes já esperado (“Montagens são filmes se desculpando pela realidade”, “E Jesus chorou!”, “É o paradoxo Brenda!”, “Esperança é a irmã rica e vaca da fé”, os insultos whiplashianos do professor de teatro, “Preferimos ser chamados de pessoas sem cor ou vaginas”, entre várias outras), a série também não perdeu a mão ao usar recursos visuais para fazer graça. Seja com a direção de arte (a sala de crises no 3º episódio – o 100º da série –, dedicada à emergência sobre a possível carreira acadêmica de um cão, o bar burlesco clandestino, o retrato de Jeff na mesa-de-cabeceira do reitor, o suplemento muscular atrás da mesa de Jeff), seja com a montagem e a misé en scène (os vibrantes tiroteios de paintball, a insólita luta entre dois tablets, a dramaticidade do “assassinato” cometido por Jeff), Community é exemplar ao jamais centralizar seu humor no texto, sendo possível encontrar piadas novas em vários episódios ao revê-los. Além disso, é curioso que sua herança televisiva continue forte na Internet, sendo possível notar os momentos precisos em que seriam inseridos intervalos comerciais – talvez uma forma de evitar que o espectador estranhe o formato que a série assumiu até aqui.

Embora outra característica marcante da série seja não ter piedade alguma em jogar no ventilador os traços menos atraentes do caráter de seus personagens, a 6ª temporada exibe sensibilidade no desenvolvimento que dá aos arcos de alguns personagens – especialmente Jeff, que, se no ano anterior já desenvolvia uma neura com a própria idade, aqui isso se soma ao temor de ser deixado para trás. Isso resulta num season finale que, ao mesmo tempo em que explode as taxas de metalinguagem ao trazer todos imaginando a “7ª temporada” (a versão de Britta é absurdamente genial), revela-se tocante ao fazê-lo abrir o coração para os amigos, além de trazê-lo numa conversa mais intimista com Annie que finalmente revela os motivos da atração semi-platônica que sempre tiveram um pelo outro. Ao mesmo tempo, é a própria série dizendo que não é o fim do mundo caso não retorne.

Ainda não é certo se esta foi a temporada final, mas se for, Community fecha um ciclo imperfeito, mas com uma criatividade rara no gênero sitcom. Se chegamos a #SixSeasons, só podemos mesmo torcer para que #AndAMovie torne-se a despedida que a turma de Greendale merece.

(Originalmente publicado no site nonada.com.br)

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Agents of S.H.I.E.L.D. – 2ª temporada (2014-2015)

Agents of S.H.I.E.L.D. – 2ª temporada (2014-2015, ABC)

Showrunners: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Joss Whedon

Com: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Nick Blood, Adrianne Palicki, Brett Dalton, Henry Simmons, Kyle MacLachlan, Ruth Negga, Reed Diamond, B.J. Britt, Dichen Lachman, Luke Mitchell, Simon Kassianides, J. August Richards, Jamie Harris, Adrian Pasdar, Maya Stojan, Blair Underwood, Lucy Lawless, Brian Patrick Wade, Patton Oswalt, Tim DeKay, Christine Adams, Henry Goodman, Neal McDonough, Kenneth Choi, Cobie Smulders, Jaimie Alexander, Hayley Atwell e Edward James Olmos.

Como disse no texto sobre a excelente série do Demolidor, Agents of S.H.I.E.L.D. – a primeira encomenda da Marvel para a TV, ligando-se ao crescente Universo Cinematográfico – soava perdida em suas intenções, parecendo não ter a menor ideia do que fazer com o próprio material. Resultado: mesmo com um piloto eficaz, a falta de uma narrativa consistente afastou a audiência, uma vez que os mistérios não eram dos mais cativantes, os episódios seguintes pareciam uma sucessão interminável de fillers e os personagens, mesmo simpáticos, caminhavam para resoluções manjadas. Quando tudo parecia perdido, veio o díptico 1.16-17 (End of the Beginning e Turn, Turn, Turn) que, conectado à queda da agência vista em Capitão América 2, conferiu à série tudo o que lhe faltava: urgência, mistérios e conspirações instigantes, vilões realmente perigosos e plot twists surpreendentes. Nos sete episódios finais, Agents of S.H.I.E.L.D. finalmente mostrou a que veio.

Pois nada como ver uma série aprender com seus erros. Embora presos ao arcaico formato de temporada com mais de 20 episódios, os showrunners tomaram a acertadíssima decisão de criar dois arcos narrativos menores, que, mesmo interligados, se desenvolvem de forma distinta e impedem que as tramas se arrastem indefinidamente. Sim, houve um e outro episódio com jeito de filler e, de modo geral, não atinge a mesma excelência dos outros seriados já lançados pela Marvel (Agent Carter e Demolidor), mas depois do que foi visto no 1º ano, a melhora é indiscutível. Além disso, ela também superou um problema que fragilizou boa parte da temporada de estreia: a excessiva submissão ao que foi visto nos filmes (ainda que, paradoxalmente, tenha sido um deles que lhe deu a força que não tinha), já que, com exceção de uns poucos episódios levemente ligados a Era de Ultron, a 2ª temporada se sustentou de forma independente (mas claro, com abundantes easter eggs).

Episódios 2.01 a 2.10: Heil Hidra

No início da temporada, temos Phil Coulson (Gregg), agora dirigindo uma nova S.H.I.E.L.D. secreta por ordem de Nick Fury, perseguindo os remanescentes da Hidra com os poucos agentes que recuperou. Enquanto isso, Coulson passa a sofrer cada vez mais os efeitos colaterais da droga alienígena que o “ressuscitou”, escrevendo compulsivamente estranhos símbolos que não compreende. Temendo enlouquecer como John Garrett (Bill Paxton), ele se intriga que Skye (Bennet), também salva pelo soro, não manifeste os mesmos sintomas. Enquanto S.H.I.E.L.D. e Hidra perseguem um poderoso objeto confiscado dos nazistas por Peggy Carter (Atwell) no final da Segunda Guerra, segredos passados de Skye começam a ser revelados por Ward (Dalton) e Raina (Negga).

Mesmo lidando com um grupo enorme de personagens, a série é eficaz em desenvolver suas relações de forma objetiva e quase sempre econômica (uma má exceção é a Simmons imaginada por Fitz nos primeiros episódios). Logo percebemos onde os veteranos se encontram e quais suas motivações e problemas atuais. Dentre os novatos, Mack (Simmons) acaba funcionando como um escape para o lesionado Fitz e o ex-casal Lance Hunter (Blood) e Bobbi Morse (Palicki, tão badass quanto a May de Ming-na Wen) tem sua dinâmica de amor e ódio tratada não apenas como alívio cômico (a hilária insistência de Hunter em demonizar a ex-esposa revela não exatamente o que ele gostaria), mas como algo que também afeta aqueles personagens, que buscam sacrificar seus sentimentos por serem incapazes de confiar um no outro.

Estabelecido o núcleo de personagens, a série passa a retomar perguntas que ficaram pendentes da temporada anterior: qual a verdadeira origem e natureza de Skye? Esse mistério passa a ter implicações cada vez mais estranhas não só com a paranoia de Coulson, mas também com o retorno de Raina, ainda mais intrigante. A misteriosa mulher tem sua inabalável segurança quebrada menos ao ser perseguida pela Hidra do que por sua associação com o pai de Skye. E não é para menos: Calvin é uma figura que exala instabilidade, oscilando entre o ar terno sempre que se refere à filha, o calculismo de seus esquemas e rompantes súbitos de violência – e o excelente Kyle MacLachlan (o eterno agente Dale Cooper de Twin Peaks) transita de forma magnífica entre essas nuances do personagem. MacLachlan consegue comunicar muito através de pouco (a personalidade quebrada de Calvin é exposta pelo gestual rápido que não parece se completar e pelos sorrisos aparentemente aleatórios, além de figurinos desalinhados) ao mesmo tempo em que seus olhos, quando não repletos de raiva, deixam transparecer toda a sua dor.

MacLachlan não é o único vilão a se destacar. Reed Diamond, como o novo líder da Hidra Daniel Whitehall, realmente perturba pela frieza que demonstra não apenas durante a lavagem cerebral que realiza na pobre Agente 33 (Stojan) como com o que faz com a jovem chinesa em 2.08 – The Things We Bury, um dos mais gráficos da série. Mas quem surpreende (embora se mantenha como figura periférica na maior parte do tempo) é mesmo Grant Ward, cuja eficácia nessa temporada é um verdadeiro milagre: contrariando qualquer expectativa que poderíamos ter a seu respeito no início da série, Ward se converteu num sujeito absolutamente imprevisível – e é ótimo que, mesmo quando a narrativa parece ir na direção de redimir o personagem, logo o faz mostrar novamente as garras do sociopata calculista que é e sempre foi.

Plantando com cuidado as pistas que levarão à trama do arco seguinte, essa primeira metade da 2ª temporada raramente pisa em falso. Algumas subtramas se prolongam demais (a Simmons ilusória) e outras se encerram talvez mais cedo do que poderiam (a razão da ausência de Simmons, o conflito da S.H.I.E.L.D. com o Exército), mas, de modo geral, acerta por não segurar os principais mistérios por um tempo desnecessário – um modus operandi também seguido na metade seguinte e cuja falta tanto custou ao 1º ano. Que esses mistérios realmente sejam interessantes é só mais uma qualidade.

Episódios 2.11 a 2.22: Sejam bem-vindos, Inumanos

Depois dos incidentes vistos em What They Become, a equipe da S.H.I.E.L.D. precisa lidar com as consequências do ocorrido: Skye e Raina ressurgem modificadas e o confronto com a Hidra teve um alto custo. Enquanto Skye é temporariamente afastada da ação por Coulson e May, estes enfrentam o surgimento de uma nova agência secreta de segurança global, liderada por Robert Gonzales (Olmos). Em meio a esse embate, Skye é levada a um santuário remoto para pessoas com poderes especiais ativados pelas Névoas Terrígenas, onde é treinada por Jiaying (Lachman).

Mais longo do que o arco anterior, essa segunda metade demora um pouco a engrenar. 2.11 – Aftershocks busca lidar com as consequências da ação frenética do anterior, mas a nova trama só começa para valer em 2.15 – One Door Closes, enquanto os corretos Who You Really Are e Love in the Time of Hydra e o fraco One of Us se preocupam mais em posicionar as peças para o jogo. Depois, temos a divisão do foco entre o embate com a agência de Gonzales, os esforços de Coulson e Hunter nos bastidores e a jornada pessoal de Skye, que, com suas origens devidamente reveladas, aprende a usar seus recém-adquiridos poderes junto aos Inumanos (cuja origem é explicada pela asgardiana Lady Sif, numa aparição bem mais orgânica que a da temporada passada). Entre este grupo, também se encontra Raina, que mal consegue viver com a aparência bizarra que assumiu após a Terrigênese.

Sim, os Inumanos já estão oficialmente na área, mesmo com seu filme sendo lançado somente em 2019. Não deixa de ser um passo arriscado, mas também ilustra uma mudança drástica na natureza de Agents of S.H.I.E.L.D.. Tendo começado como um mero complemento de qualidade questionável para o Universo Cinematográfico Marvel, agora a série passa a se adiantar, introduzindo não apenas elementos, mas temáticas que deverão ser sentidas nos próximos filmes – mas claro, sem que um seja um pré-requisito indispensável para o outro. E não apenas os Inumanos: as enormes reservas de Gonzales contra indivíduos com poderes tem muito a ver com a temática trabalhada por Mark Millar em Guerra Civil, que, como se sabe, será a base para Capitão América 3, a ser lançado no próximo mês de abril. Também há um pouco das questões de (auto)aceitação bastante trabalhadas na franquia X-Men: como os direitos de uso dos mutantes estão com a Fox, o uso dos Inumanos (também) para esse fim acaba sendo lógico.

Mesmo demorando mais para empolgar, essa segunda metade da temporada não deixa a desejar quando o faz, incluindo bastante ação (a invasão à base da Hidra no Ártico em 2.19 – The Dirty Half Dozen ganha até mesmo da fantástica luta May vs. May vista no quarto episódio), efeitos visuais bem superiores aos da 1ª temporada e eficientes trabalhos de maquiagem (com destaque para Raina e Deathlok, é claro). Além disso, chama atenção o tom violento que a série assume diversas vezes, com várias mortes importantes e a porradaria brutal de uma torturada Bobbi Morse com seus captores no season finale; e mesmo a disposição de frustrar expectativas acerca de algumas figuras (notável em 2.20 – Scars). Mas talvez o mais inesperado é como essa parte consegue usar nada menos que dois episódios fortemente calcados em flashbacks sem que isso soe como encheção de linguiça, contribuindo para desenvolver personagens e as conspirações vistas ao longo da série.

Encerrando de forma satisfatória as principais linhas narrativas que estavam pendentes desde o início da série (e a resolução da trama envolvendo a família de Skye permite que MacLachlan brilhe mais uma vez), Agents of S.H.I.E.L.D. termina seu segundo ano numa nota muito mais promissora e divertida do que o primeiro, tendo de fato criado uma narrativa seriada ao invés do monótono estilo “caso da semana” que outrora teve. Fica a pergunta de como a série lidará com o aumento de figuras superpoderosas em seu núcleo, já que começou sendo sobre humanos comuns em um mundo de heróis, mas os instigantes cliffhangers e a promessa de um novo inimigo temível deixam a sensação (e a torcida) de que a série tem tudo para manter o fôlego que mostrou aqui.

(Originalmente publicado no site nonada.com.br)

Demolidor – 1ª temporada (2015)

Demolidor (Daredevil, 2015, EUA, Netflix)

Showrunners: Drew Goddard e Steven S. DeKnight, baseado nos personagens de Stan Lee e Bill Everett.

Com: Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Vincent D’Onofrio, Ayelet Zurer, Rosario Dawson, Vondie Curtis-Hall, Toby Leonard Moore, Scott Glenn, Bob Gunton, Wai Ching Ho, Peter McRobbie, Nikolai Nikolaeff, Peter Shinkoda, Skylar Gaertner, John Patrick Hayden, Judith Delgado e Phyllis Sommerville.

Após Os Vingadores, que selou o sucesso do Universo Cinematográfico Marvel, o próximo passo lógico do estúdio era investir nas séries televisivas live-action, contando histórias paralelas ao núcleo narrativo principal. O começo não foi promissor: Agents of S.H.I.E.L.D. teve um início sofrível, padecendo com um ritmo claudicante e uma trama que não parecia ir a lugar algum – ao menos até o episódio 1.16, quando sofre a influência dos explosivos acontecimentos de Capitão América 2 e finalmente ganha o peso que lhe faltava (o que vem se mantendo na ótima 2ª temporada). Já Agent Carter, que surgiu como pouco mais que um tapa-buraco para o hiato da primeira, revelou-se uma agradabilíssima surpresa ao trazer a espiã apresentada em O Primeiro Vingador como rara protagonista feminina de um projeto de ação, resultando numa aventura divertida, enxuta e retrô que certamente merece voltar às telas (algo que, infelizmente, a ABC ainda não confirmou).

E finalmente, chegamos a Demolidor, primeira série da parceria da Marvel com o Netflix (as próximas serão A.K.A. Jessica Jones – prevista para o final do ano –, Luke Cage e Punho de Ferro) que promete focar em heróis com temáticas mais urbanas e lidando com crimes comuns. Iniciando algum tempo após a Batalha de Nova York, logo fica claro como a luta entre os Chitauri e os Vingadores afetou a vida dos cidadãos comuns de Manhattan – especialmente na região de Hell’s Kitchen, onde a destruição desencadeou uma agressiva especulação imobiliária. É neste contexto que somos apresentados aos jovens Matt Murdock (Cox) e Foggy Nelson (Henson), advogados que acabam de abrir um escritório na área. Logo os dois se colocam na defesa de Karen Page (Woll), acusada de um assassinato que ela jura não ter cometido. Com as informações reveladas pela garota, Murdock usa seu alter ego justiceiro para pressionar os líderes das facções criminosas do bairro, aproximando-se cada vez mais de um homem potencialmente ligado à questão imobiliária: Wilson Fisk (D’Onofrio). Enquanto isso, Page auxilia o veterano repórter Ben Urich (Curtis-Hall) em uma investigação similar.

Sem qualquer vestígio da atmosfera leve de “colegas” como Guardiões da Galáxia, Os Vingadores e a primeira fase de Agents of S.H.I.E.L.D., Demolidor não demora a estabelecer que se passa nas ruas de um bairro perigoso: suas ameaças não são alienígenas de outra dimensão ou sociedades secretas que buscam controlar o mundo, mas traficantes de drogas, assaltantes, estupradores e assassinos – algo que, somado ao uniforme preto, denota forte influência do período em que Frank Miller esteve à frente do personagem (principalmente no arco O Homem sem Medo). A boa notícia é que, embora seja sem dúvida o produto mais “realista” já entregue pela Marvel, a série não abdica totalmente de elementos fantásticos, coexistindo tranquilamente no mesmo universo que os Vingadores, a S.H.I.E.L.D. e os Guardiões (como sugerem as pistas plantadas pelo episódio centrado em Stick, mestre do protagonista, e as últimas cenas com a vilã Madame Gao). Ainda assim, o tom pesado da série é inquestionável: as lutas são coreografadas de maneira seca e direta; tiros, socos e facadas tem consequências sangrentas e há uma execução particularmente grotesca em sua violência gráfica.

Essa descrição deve ter feito Demolidor parecer excessivamente agitada, o que não é o caso. Desenvolvendo com calma suas situações e personagens, a série equilibra com sabedoria as sequências de ação com aquelas onde vemos Murdock exercendo sua formação jurídica e os motivos que tornam Wilson Fisk uma figura tão temida. Com relação ao primeiro, Murdock surge como a figura heroica mais vulnerável do Universo Marvel até aqui: cego e financeiramente limitado, o rapaz sequer conta com um equipamento decente de proteção, adquirindo parcos itens pela Internet que não o impedem de levar surras brutais – o que ele busca compensar com os demais sentidos ampliados a níveis assombrosos (algo que a série – acertadamente – não se preocupa em explicar) e exímia habilidade em combate físico. Mas o brilhantismo do roteiro e da performance do carismático Charlie Cox (de Stardust e Boardwalk Empire) reside em expor que, mesmo bem intencionado, Murdock possui características pouco atraentes que parecem prestes a aflorar sempre que surge sob a máscara – e, como outros personagens apontam, suas justificativas de querer “melhorar a cidade” soam perigosamente próximas às de Fisk. No entanto, Matt assume suas ações quase com a mesma força com que as questiona, o que, somado à notória religiosidade do personagem, rende interessantes cenas em que o rapaz discute com seu padre dúvidas morais e teológicas, estabelecendo-o como alguém em constante conflito consigo mesmo (uma dualidade também expressa por um católico que elege visual e alcunha original remetendo ao Demônio).

Esse autoquestionamento, portanto, é o fator crucial que separa Murdock de Wilson Fisk, que, mesmo alegando sinceramente não extrair qualquer prazer de suas ações mais cruéis (exceto as que o afetam pessoalmente, quando então se entrega a uma fúria animalesca), considera-as absolutamente necessárias em função de um bem maior. E se a oposição entre o Coringa e Batman (herói frequentemente comparado com o Demolidor, algo reconhecido na piadinha de Foggy sobre Matt “ter ouvidos de morcego”) fascina em função da imprevisibilidade do primeiro, o que atrai na rivalidade entre Murdock e Fisk é que ambos buscam agir de forma racional, constantemente tentando antecipar o próximo movimento do inimigo, embora sejam sujeitos a cometer erros de avaliação. Além disso, Vincent D’Onofrio (Nascido para Matar) surpreende ao encarnar Fisk como um homem que, apesar de se impor fisicamente e ser capaz de ações monstruosas, se expressa na maior parte do tempo de forma contida, até mesmo tímida. Capaz de criar laços de respeito e até mesmo de afeto com seus comandados e outros chefões do crime, Fisk é, no entanto, um homem profundamente solitário cuja personalidade foi formada pelo pior lado de Hell’s Kitchen – e é ao ter sua desajeitada aproximação romântica correspondida pela curadora de arte Vanessa (Zurer) que o sujeito abandona a cautela habitual, o que preocupa seus pares.

O elenco secundário de Demolidor não fica atrás: Elden Henson entrega um Foggy divertido e emotivo, mas que também questiona constantemente sua difícil escolha profissional; Deborah Ann Woll consegue um efeito curioso com sua Karen Page, convencendo o espectador de suas boas intenções no presente ao mesmo tempo em que perturba com sugestões de um passado misterioso e provavelmente violento; Rosario Dawson encarna uma espécie de bússola moral para as ações de Matt e Toby Leonard Moore evita transformar o braço-direito de Fisk numa caricatura, ajudando a humanizar o vilão, embora surja quase tão ameaçador quanto este. Mas o destaque vai mesmo para Vondie Curtis-Hall, que retrata Ben Urich como o tipo de repórter que parece deslocado no tempo, embora já cansando de buscar a relevância social da atividade num jornal que já não está interessado em tal coisa. Aliás, o cinismo da série com relação à atividade jornalística contemporânea é notório (e justificado), expressado não apenas nas constantes dificuldades profissionais de Urich como também no discurso que Fisk lhe faz em certo momento.

Além disso, essa primeira temporada destaca-se em seu ótimo trabalho de design de som, ressaltando a importância que os menores ruídos tem para que um personagem cego tenha noção de espaço (além de seu “detector de mentiras” cardíaco) e, é claro, a crueza das várias lutas, cujos golpes soam sempre dolorosos. Da mesma forma, a direção de arte é eficaz em transmitir informações importantes sobre os personagens de forma rápida, como o escritório de Ben Urich atulhado de pastas e livros; o apartamento luxuoso, mas frio, de Wilson Fisk; e o escritório quase vazio de Matt e Foggy. Finalmente, a condução da série, ciente da natureza de binge-watching do Netflix, não se preocupa em encerrar todos os episódios com cliffhangers, apostando em cenas mais fechadas com a própria trama – merecendo menção o desfecho do episódio 4, quando vemos do que Fisk é capaz e, é claro, o já icônico final do episódio 2 em que Murdock avança, num longo plano-sequência, por um corredor repleto de capangas, batendo e apanhando em igual medida e claramente se cansando no decorrer da cena.

Ligando-se apenas tangencialmente ao restante do Universo Marvel (repare nas capas emolduradas no escritório de Ben Urich, que se referem à Batalha de Nova York e à luta entre o Hulk e o Abominável no Harlem, além de o rival do pai de Matt surgir como um vilão no início da 2ª temporada de Agents of S.H.I.E.L.D.), a série também inclui uma série de referências a elementos particulares do núcleo do Demolidor, indicando que Elektra (a “garota grega” mencionada por Foggy num flashback) e possivelmente o Tentáculo devem marcar presença nas próximas temporadas. E baseado na ótima qualidade do que vimos aqui, é bom que o Diabo Cego volte o quanto antes.

(Originalmente publicado no site nonada.com.br)

Doctor Who – 10 anos

Doctor Who (2005-atualmente, BBC)

Showrunners: Russell T. Davies (temporadas 1 a 4), Steven Moffat (temporada 5 em diante)

Com: David Tennant, Matt Smith, Christopher Eccleston, Peter Capaldi, Billie Piper, Catherine Tate, Freema Agyeman, Karen Gillan, Arthur Darvill, Jenna Coleman, Alex Kingston, John Barrowman, Noel Clarke, Camille Coduri, Samuel Anderson, Elizabeth Sladen, John Simm, Michelle Gomez, Bernard Cribbins, Penelope Wilton, John Hurt, Frances Barber, Nicholas Briggs, Paul Kasey, Tom Baker, Paul McGann, Ingrid Oliver, Dan Starkey, Neve McIntosh, Caitrin Stewart, Jemma Redgrave.

Há exatos 10 anos, Rose Tyler salvava o Doutor durante um confronto com a Consciência Nestene, na primeira aventura do retorno daquela que é provavelmente a série de ficção científica mais longeva da história da TV. Doctor Who estreou na BBC em 1963, inicialmente como um programa educativo, estrelando um velhinho (William Hartnell, o 1º Doutor) que viajava para conhecer eventos históricos a bordo de sua Time and Relative Dimension in Space – TARDIS, uma máquina do tempo com o formato de uma cabine de polícia londrina dos anos 50 que é muito maior por dentro do que por fora. Daí em diante, tornou-se um fenômeno da TV britânica ao incluir um universo alienígena que nada deve a primos de gênero mais famosos como Star Wars ou Star Trek, sobrevivendo a mais de 50 anos e (até o momento) 13 encarnações canônicas do mesmo protagonista e rendendo um universo expandido que também inclui livros, HQs, games e audiodramas, além de duas séries spin-off (The Sarah Jane Adventures e Torchwood).

Os Doutores do revival: 9º (Christopher Eccleston), 10º (David Tennant), 11º (Matt Smith), 12º (Peter Capaldi) e o Doutor da Guerra (John Hurt)

Os Doutores do revival: 9º (Christopher Eccleston), 10º (David Tennant), 11º (Matt Smith), 12º (Peter Capaldi) e o Doutor da Guerra (John Hurt)

Longe das telas desde 1996, quando um telefilme tentou (sem sucesso) retomar a série interrompida em 1989, após 26 temporadas, Doctor Who voltou a conquistar público e crítica com seu revival em 2005, sob o comando de Russell T. Davies, que, acertadamente, optou por não “rebootar” a série, e sim por dar continuidade a ela a partir de onde tinha parado – claro, oferecendo uma importante justificativa para sua longa ausência. Mas como explicar porque a franquia continua bem-sucedida mesmo depois de tanto tempo?

Um motivo importante é, sem dúvida, que a própria mitologia da série se desenvolveu de modo a dificultar que ela se torne repetitiva. Exceto em circunstâncias excepcionais, os Senhores do Tempo (espécie a que o Doutor pertence) são capazes de evitar a morte regenerando-se num novo corpo que preserva as memórias e experiências do anterior, mas traz consigo novos traços de personalidade. Todos os Doutores do revival são bastante distintos entre si: Christopher Eccleston criou um Doutor mais seco e amargurado (e ainda bastante subestimado), reflexo de incidentes que antecedem a série; enquanto David Tennant conferiu uma energia frenética ao personagem, dando lugar aos modos que oscilam entre o infantil e o maníaco da encarnação seguinte, vivida pelo então desconhecido Matt Smith (ainda não cheguei na 8ª temporada, quando Smith foi substituído pelo veterano Peter Capaldi). Isso faz com que o Doutor seja um personagem muito difícil de esgotar, renovando-se constantemente.

O mesmo se aplica aos companions, parceiros de viagem, humanos comuns. Nesse sentido, Billie Piper, como a primeira, ganhou a tarefa de conhecer, junto do público, o universo fantástico do Doutor – convertendo, no processo, a simples Rose Tyler numa personagem inesquecível. Com os seguintes, acompanhamos suas descobertas como “iniciantes” e, claro, crescimento como personagens – destacando-se aí Donna Noble (Tate), que se transforma de uma figura irritante em sua primeira aparição para uma mulher de personalidade forte e enorme coração. Também merecem destaque alguns aliados que surgem de tempos em tempos: Sarah Jane Smith (Sladen), uma das companions mais populares da série original, o Capitão Jack Harkness (Barrowman) e, é claro, a imbatível River Song (Kingston), espécie de Indiana Jones espacial e mais badass.

Principais companions: Rose Tyler (Billie Piper), Martha Jones (Freema Agyeman), Donna Noble (Catherine Tate), Rory Williams (Arthur Darvill), Amy Pond (Karen Gillan) e Clara Oswald (Jenna Coleman).

Principais companions: Rose Tyler (Billie Piper), Martha Jones (Freema Agyeman), Donna Noble (Catherine Tate), Rory Williams (Arthur Darvill), Amy Pond (Karen Gillan) e Clara Oswald (Jenna Coleman).

No entanto, Doctor Who causa estranhamento – e por aquele que talvez seja o principal motivo de seu enorme sucesso: seu aspecto despretensioso de ficção científica B não significa nem por um segundo que não leva a si mesma ou seus personagens a sério – não no sentido de explicar logicamente aquele universo, um esforço fadado ao fracasso, mas de acreditar ferrenhamente em suas próprias possibilidades, por mais absurdas que estas sejam. Ora, a TARDIS ganhou desde o início a forma de uma cabine de polícia pelo fato de que a série começou com orçamentos reduzidíssimos e buscou manter-se fiel a esse estilo. A era Steven Moffat trouxe uma melhora monumental nos efeitos visuais, mas ela sempre funcionou graças às boas histórias, condução empolgante e elenco afiado – os “defeitos” visuais das primeiras temporadas não chegam a ser um grande problema se entrarmos no espírito da coisa. Afinal, só um fantástico trabalho de storytelling para convencer o público de que inimigos com um visual tão tosco como os Daleks são mais ameaçadores do que um Exterminador perseguindo John Connor – e convence.

Não se engane, no entanto: embora produzida para ser uma “série família”, Doctor Who não hesita em fazer seus personagens sofrerem: seus vilões são genuinamente ameaçadores, Daleks e Cybermen não raro produzem verdadeiros massacres, o Mestre é um antagonista doentio e os Anjos Lamentadores provavelmente lhe gerarão uma desconfiança permanente de estátuas. Além disso, o destino reservado aos companions por vezes confirma o perigo que é seguir o Doutor. Da mesma forma, a série acerta ao introduzir sem alarde questões raciais (especialmente na 3ª temporada, que tem Martha Jones como companion) e personagens LGBT (como Jack Harkness, que estrela Torchwood), além de ocasionalmente questionar as ações do Doutor (o trágico especial The Waters of Mars). A riqueza da série também é provada pela variedade constante de tons que assume, passando pela comédia (5.11 – The Lodger), o drama (5.10 – Vincent and the Doctor), o romance (2.04 – The Girl in the Fireplace), o épico (4.11, 12 e 13 – Turn Left, The Stolen Earth e Journey’s End) e o absoluto terror (6.09 – Night Terrors e a obra-prima 3.10 – Blink).

Contando com participações especiais de atores como Carey Mulligan, James Corden, Timothy Dalton, Michael Gambon, Felicity Jones, Simon Pegg, Kylie Minogue, Nick Frost, Liam Cunningham, Toby Jones, Mark Williams, Helen McCrory, Derek Jacobi, Jessica Hynes, Hugh Bonneville, Bill Nighy, Tamsin Greig e Andrew Garfield e roteiros ocasionais de figuras como Mark Gatiss (co-criador, junto de Moffat, da espetacular Sherlock), Richard Curtis e Neil Gaiman, a nova Doctor Who chega aos 10 anos sem dar sinais de perder fôlego. E que ainda possamos ter muitas aventuras com novos Doutores, novos companions, Daleks, Cybermen, Ood, Sontarans, Atraxi, Silurianos, Sycorax e outros alienígenas, em qualquer lugar do tempo e do espaço. Assim como a TARDIS, a série também não parece grande coisa à primeira vista…

Allons-y!

(Originalmente publicado no site nonada.com.br)

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